Majestade do Samba

PORTELA é FATO E FOCO



terça-feira, 9 de julho de 2013

Nilo Figueiredo

 
A tão esperada águia portelense ainda na fase de acabamento

‘NÃO DEVO NADA A NINGUÉM’ (Jornal Extra - 13/02/06)
 
Um ano depois, Nilo Figueiredo volta a entrar em confronto com a Velha Guarda da Portela.
 
Ele saiu do último carnaval como o grande vilão da festa, por ter decidido que a Velha Guarda não entraria na Avenida. Um ano depois, Nilo Figueiredo, presidente da Portela, continua polêmico. Mandou tirar a frase que exaltava a Velha Guarda na quadra e entrou em confronto com eles ao retomar a administração da feijoada da escola.
 
Nilo diz que hoje é aplaudido pela decisão que tomou no ano passado e afirma que seu coração ficou apertado porque as 42 crianças do carro não desfilaram, e não por causa da Velha Guarda. Nesta entrevista, Nilo fala ainda dos projetos sociais da Portela e de seu jeito firme de comandar a escola. E ainda promete um grande carnaval aos portelenses sedentos por vitórias.
 
Como está a preparação da Portela, faltando duas semanas para o carnaval?
 
Todas as escolas estão com um problema: dinheiro. Mangueira e Imperatriz tiveram problemas com patrocínio. Mas a Mangueira ainda tem um ensaio concorrido. Eles cobram um ingresso caro e lota. Lá, tem a menininha bonita, os caras vão atrás. É a escola da moda.
 
E como fazer a Portela virar moda? A escola tem nome, tradição e é a maior campeã do carnaval. O que falta?
 
Falta ir para a mídia. Há quanto tempo não se ouvia falar da Portela? Só se passou a falar no dia em que o Lula foi lá. Ali, a Portela voltou à mídia.
 
Mas para isso a escola tem que ter bons resultados, o que não aconteceu em 2005?

No ano passado, enquanto todo mundo fazia carnaval, eu fazia estrutura. Troquei chassis, motores, gastei uma grana. Eu cheguei à escola e estava tudo fechado com a ONU, sem contrapartida e com um enredo difícil de desenvolver.
 
E aconteceu aquele problema com a Velha Guarda?
 
No último carro, fomos homenagear a Portela, com 42 crianças vestidas de anjinhos e a Velha Guarda. Mas o motor deu problema e só um guindaste levantaria aquele carro. Restavam 12 minutos e eu mandei fechar o portão. Hoje, sou aplaudido, porque a Portela poderia ser rebaixada. Mas houve uma comoção porque a Velha Guarda não entrou. Será que ninguém viu que tinha 42 crianças, que também não desfilaram? Elas estavam chorando! Ali meu coração ficou machucado. Elas iam desfilar pela primeira vez, aqueles velhos estão cansados de desfilar. Este ano, eles vêm no abre-alas, mas não é para me redimir. Não devo nada a ninguém, não tenho que pedir desculpas.
 
Mas esse não foi o único problema: a Águia veio sem asas e a escola entrou triste na Avenida. 
 
Não é verdade. Basta ver os comentários da TV, eles diziam que a Portela estava dando uma aula de desfile. Mas aí fizeram aquela onda toda com o último carro, que influenciou a nota dos jurados, que ficam vendo televisão na cabine. 
 
Você cogita a possibilidade de a Portela ser rebaixada? 
 
Você está brincando? Eu estou fazendo um carnaval com fantasias de qualidade, um samba ótimo, bateria elogiada, puxador muito bom, alegorias modernas, comissão de frente que vai surpreender. Se eu cair, eu vou embora, porque vai ser sacanagem com a Portela. 
 
Você costuma apostar em novos nomes, como o puxador, Gilsinho, e o mestre-sala, Diego. 
 
É verdade. Hoje se fala muito no Bruno Ribas (puxador), mas ele era o terceiro da Beija-Flor e eu o trouxe para a Portela. Este ano parti para outro menino novo, o Gilsinho, que é o melhor cantor do Especial, páreo para o Neguinho da Beija-Flor. Uma das minhas promessas quando assumi foi valorizar os jovens, formar lideranças. Tenho 120 baianinhas, ala de crianças, concurso de samba de terreiro para formar compositores. Essa é minha meta. Além disso, a escola de samba tem função social. Nossa região é totalmente desassistida e temos que fazer alguma coisa para salvar a juventude. Por isso fizemos uma parceria com a Gama Filho e vamos oferecer atendimento médico-odontológico na quadra. E vamos ter também cursos profissionalizantes.
 
Muita gente na escola reclama do seu jeito rigoroso e centralizador à frente da Portela. 
 
A Portela ficou indisciplinada ao longo do tempo. Não tinha comando, cada área tinha seu dono, eram feudos. Então o poder não pode sair da minha mão, porque quando explode alguma coisa, vem em cima de mim. 
 
Hoje você sente o portelense com o orgulho ferido? O que ele pode esperar deste carnaval?
 
O portelense está acreditando. Quem viu o barracão ficou satisfeito, as roupas estão lindas, nós queremos reviver a tradição da Portela. Ganha carnaval hoje quem erra menos, e nós estamos identificando os problemas para não errar na Avenida. 
 
Qual foi o problema com a Velha Guarda na administração da feijoada da escola? 
 
A administração era minha e passei para eles, mas os alertei de que não poderia haver problemas. Mas a feijoada começou a acabar cedo, muita gente reclamou, o rendimento diminuiu. Eu chamei o Monarco, que é a liderança, e disse que ia pegar de novo a feijoada. Ele concordou e voltou tudo ao normal, o faturamento deles aumentou de novo. Aí disseram que tomei a feijoada da Velha Guarda. Nunca foi deles! Eu entreguei, eles dirigiram 4 ou 5 vezes e fizeram m... 
 
E a inscrição “Aqui deu frutos a semente que a Velha Guarda plantou”, que estava na quadra? Ela foi pintada? 
 
A Velha Guarda plantou que semente? Aquela Velha Guarda que está lá? Quem plantou a semente foi Paulo da Portela, Antônio Caetano, Antônio Rufino (fundadores), Natal... Eu vou botar outra frase lá, do Candeia: “Portela é perfume da flor e aroma no ar; pra sentir, só basta saber respirar”. Não estou falando de Velha Guarda nem de Nova Guarda. Ninguém é superior à história da Portela. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Compositores da PORTELA 2006

AUTORES DA ANTIGA DE VOLTA À SAPUCAÍ (O Globo - 12/02/06)
 
A Portela desfilará com sambas de compositores veteranos.
 
Na Portela, entre os compositores do samba-enredo de 2006 estão bambas que ainda não tinham vencido uma disputa: Mauro Diniz, filho de Monarco, e Marquinhos de Oswaldo Cruz. 
 
Na azul-e-branco de Oswaldo Cruz, os compositores dizem que a criação do concurso de sambas de terreiro, no ano passado, e a obrigatoriedade de participar dele para inscrever sambas na disputa ajudaram a melhorar a qualidade dos concorrentes.
 
- A reedição de carnavais antigos, em 2004, também revelou a demanda por mais sambas de qualidade — diz Marquinhos de Oswaldo Cruz, num bate-papo na escola ao lado de Mauro Diniz e de Júnior Escafura, presidente da Ala dos Compositores e criador do concurso. 
 
Samba de 1970 reeditado empolgou em 2004.
 
Com “Lendas e mistérios da Amazônia”, de 1970, a Portela levantou o público na Sapucaí em 2004. O mesmo aconteceu na passagem do Império Serrano, com sua “Aquarela brasileira”, de Silas de Oliveira. Mauro Diniz já tinha concorrido com sambas seus, até em parceria com Monarco, mas nunca tinha ganho a disputa.
 
- Uma vez, até reconheci que o samba do adversário era melhor. Mas já me senti injustiçado — conta ele, que divide a autoria do samba “Brasil marca tua cara e mostra para o mundo” com Escafura, Marquinhos, Ary do Cavaco e Naldo.

PORTELA 2006 - Comissão de Frente

FAZENDO O MAIOR MISTÉRIO (O Globo – 12/02/06)

Os integrantes da comissão de frente da Portela vestirão fantasias diferentes, já que representarão os diversos grupos étnicos que formaram o povo brasileiro. A preocupação com o segredo é tanta que, até o início do mês, nem o próprio coreógrafo do grupo, Jerônimo, sabia exatamente com seriam os figurinos.
 
Em outras agremiações, o responsável pela dança costuma ver logo o desenho para discutir com o carnavalesco se a idéia é compatível com os movimentos.

Águia 2006

BRILHO NO ABRE-ALAS (Jornal Extra - 12/02/06)

E vontade de aplaudir esses guerreiros do samba não vai faltar ao público. Afinal, eles estarão sob o foco dos refletores. Mais do que isso: representarão o próprio brilho.
 
- Os astronautas que olham a Terra lá de cima relatam que há um brilho intenso sobre a América do Sul e, principalmente, sobre o Brasil. E, na nossa leitura, esse brilho que vem do Brasil é o da velha-guarda da Portela, que estará no abre-alas — diz o carnavalesco Ilvamar Magalhães.
 
 E para aumentar ainda mais o brilho do abre-alas, dois ícones da MPB virão na frente: Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.




segunda-feira, 24 de junho de 2013

Velha Guarda da PORTELA 2006

VOLTA POR CIMA DA VELHA-GUARDA DA AZUL-E-BRANCO (Jornal Extra – 12/02/06) 
 
Depois de ficar fora da Sapucaí em 2005, ala da Portela terá posição de destaque no desfile.

A águia da Portela não passou pela Avenida em 2005 apenas sem as asas. Passou também sem alma, já que os baluartes que ajudaram a construir a tradição da maior campeã de todos os tempos foram simplesmente impedidos de desfilar. Mas a decepção virou cinzas na quarta-feira, a Velha-Guarda deu a volta por cima: quando o dia estiver amanhecendo na terça-feira de carnaval, os homens e mulheres que trazem no currículo 21 conquistas terão posição de destaque, no abre-alas e no primeiro setor.
 
- O destino fez justiça com a gente. O enredo da escola pediu e acabamos voltando para o início de desfile. Aquilo que aconteceu ano passado foi um acidente. Na hora, ficamos tristes. Mas eu posso falar que depois compreendi a atitude do presidente (Nilo Fernandes) — afirmou Tia Surica.
 
Fernandes nega veementemente que o fato de a velha-guarda passar para o início tenha alguma relação com o incidente no desfile de 2005, quando a ala foi cortada na entrada da Avenida, causando comoção.
 
- Não estou fazendo nenhum tipo de compensação. Se não tivesse tomado aquela atitude, a Portela estaria hoje se preparando para desfilar no Grupo de Acesso. Fiz o que não queria fazer, mas só tínhamos 12 minutos para passar pela festa e na ala da velha-guarda havia três octogenários e outros que tinham sofrido AVC.
 
Jair do Cavaquinho, de 84 anos, é outro que evita lembrar o caso, mas admite que o episódio chamou a atenção para a Velha-Guarda.
 
- Parece que o que aconteceu em 2005 chamou ainda mais a atenção. Agora todos vão ter a chance de nos aplaudir no desfile deste ano — disse o sambista.

PORTELA 2006

CARNAVALESCO DA PORTELA: 'ESCOLAS PRECISAM TER UM LAÍLA NO COMANDO' (O DIA – 09/02/06)
 
O carnavalesco da Portela, Amarildo Mello, frisou a importância do diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla, para o crescimento do carnaval de uma escola. "Ele sabe avaliar figurino, carro e o desfile completo. Hoje, as escolas precisam ter um Laíla. Temos diretores de carnaval que funcionam como dublês dele", contou. 
 
O carnavalesco da Portela falou sobre os problemas que atrapalharam o desfile da escola em 2005. "Não sou contra comissão de carnaval, mas a nossa foi complicada, porque não existia um laço entre os carnavalescos. No dia do incêndio do abre-alas, eu fiquei muito abatido. Na Avenida, os problemas aumentaram e meu coração ficou gelado com quando vi a águia sem as asas e depois a situação com a velha-guarda. Não desejo nem 10% de sofrimento para uma outra escola", revelou. 
 
Segundo Amarildo, a chegada do carnavalesco Ilvamar Magalhães para 2006 foi uma escolha dele e que teve o aval do presidente Nilo Figueiredo. "O Ilvamar foi um presente na minha vida", disse.
 
Sobre o desfile para 2006, Amarildo citou que a escola levará 1.500 pessoas maquiadas para o desfile, além de carros alegóricos que terão representações de teatrais. "Não existe nada de trabalho atrasado no barracão da Portela. Isso é boato. Estamos no tempo certo. Vamos entregar tudo com uma semana de antecedência. Fizemos duas mil fantasias aqui dentro e todas estão prontas. O portelense vai se identificar com os carros alegóricos na Sapucaí", contou.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

PORTELA 2006 - Análise do Ensaio

PLANTÃO GLOBO ONLINE – 06/02/06
 
Na noite do sábado, a Sapucaí foi da Portela. A azul-e-branco fez um bom ensaio, com destaque (cinco estrelas, bonequinho aplaudindo de pé) para a bateria de Mestre Nilo e o puxador Gilsinho. A cadência, igual do princípio ao fim, foi perfeita. Que suingue! 
 
Ainda que a escola toda não tenha evoluído com a graça ou a garra demonstrada nos outros ensaios técnicos (mais emocionantes), o samba e a bateria compensavam tudo. Como dito no final, já na dispersão, no carro de som, "um pouquinho mais de garra, um pouquinho mais de tesão, chegamos lá". 
 
A Portela estava feliz com o próprio ensaio. Um pequeno grupo, de umas dez pessoas, pulando e sambando do lado da bateria, puxava um coro que a escola não ouve há muito tempo: "É campeã! É campeã!". Eram poucos, sim, mas a sua felicidade é um retrato de que a Portela está muito viva.